Avaliação do 29M 2021 em Goiânia

Pontos positivos: Uma quantidade razoável de pessoas. Ninguém foi preso ou ferido. Pontos negativos: Muito blablabla partidário no microfone. Nenhuma mudança na organização, continuam fazendo o de sempre porque “é melhor que nada”.

Os partidos continuam achando que são donos das manifestações. Ainda tratam o ato como uma passeata e comício do partido. Não sabem usar o microfone para se comunicar com o resto do público. No único momento em que uma pessoa se manifestou para reclamar do blablabla politiqueiro e lembrar que a situação não se resolve nas urnas, cortaram a fala dela e colocaram uma música alta no lugar para abafar a reação. Não suportam ouvir a verdade.

Houve um pequeno enfrentamento da polícia quando alguns anarquistas se recusaram a obedecer a polícia no final da “passeata”. Um senhor com uma camiseta vermelha me perguntou: “pra que provocar?” Eu perguntei de volta: “provocar quem?”. Ele repetiu a pergunta, eu repeti a minha, e adicionei: “Provocar você?”. Entre o pouco que eu pude entender do discurso dele, estava a sugestão de que enfrentar a ordem da polícia era “uma atitude fascista” que ia contra o movimento. “Estão do lado de quem?”, ele perguntou. E as pessoas do carro de som, estão do lado de quem? Os aplausos ao discurso do “policial antifascista” que falou logo depois responderam: estão do lado da polícia.

“Pra que isso?”, foi a pergunta deles ao enfrentamento. Oras, mas gritaram a “passeata” inteira que o governo é genocida. Quem executa o genocídio? O que nos impede de mudar as coisas urgentemente, antes que mais pessoas morram, senão a polícia? Quem mantém um genocida no poder, senão a polícia? Quando é que se venceu um regime genocida sem enfrentamento? Quando é que o fascismo foi derrotado nas urnas?

As pessoas não querem entender por que alguns não recuam quando a polícia manda. Não querem entender. Mesmo que os “baderneiros” sejam pessoas que já foram presas e que sabem muito bem o risco que estão correndo. As pessoas condenando o enfrentamento e ao mesmo tempo usando camiseta do Che aparentemente estão em contradição.

Todo protesto tem anarquistas. Os partidários dizem que todos são bem-vindos. Mas quando há conflito entre anarquistas e a polícia, ficam do lado de quem? “Precisamos proteger as pessoas”, é a desculpa. “Precisamos de união”, é o que dizem. Eu acreditaria em união se ao invés de entregarem baderneiros para a polícia, puxassem um “recua polícia, recua…”. Quem exige que todo mundo obedeça a polícia é que divide o movimento, pois exclui quem, por convicção política, não pode fazer isso sem entrar em contradição com tudo que defende. Se o governo é genocida não precisa de pretexto para atacar. A luta dos partidos não é contra o genocídio, como eles dizem. Não é contra um “desgoverno”, como eles propagam. É contra uma oposição política convencional, um governo eleito democraticamente, e que por isso só pode ser substituído pela via democrática. Essa é a conclusão lógica. Essa é a contradição entre teoria e prática.

Se estamos num desgoverno, quem o obedece é cúmplice. Sejamos honestos: os partidários não lutam contra um governo ilegítimo, eles legitimam a autoridade do governo que chamam de genocida ao se limitarem a agir na legalidade. Não querem outra sociedade, só querem outro presidente. Enquanto isso não mudar, nada irá mudar.

Estudando filosofia, sociologia, educação, jogos e civilização.

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